Refundar a esquerda

A esquerda perdeu o rumo
Falou demais, ouviu de menos.
Virou discurso, esqueceu o povo.

Chegou a hora de voltar à rua.
Ao bairro.
Ao trabalho.
À vida real.

Querer mais que o básico — e o essencial:
Lutar pelo trabalho com dignidade.
Lutar pela a habitação como direito.
Impor serviços públicos que funcionem.
Lutar pela transição verde com justiça.
Colocar definitivamente a tecnologia ao serviço das pessoas.
Lutar para que as pessoas possam ter tempo livre como riqueza.

Lutar contra a nostalgia e assim desmotivar o populismo
Motivar as pessoas a exigirem participação efetiva na construção de um futuro com dignidade
Lutar para que as decisões possam ser coletivas não de tutores políticos e ou ideológicos

O inimigo do povo é o poder que concentra, o sistema que desgasta, e o medo que nos faz calar.

Refundar a esquerda é começar de novo.
Com coragem.
Com imaginação.
Porque o futuro não espera por quem tem medo de o inventar.

Ventura, o mestre da mentira conveniente

André Ventura é o falso profeta dos tempos modernos. Veste-se de simplicidade, finge humildade e grita contra aquilo que designa Sistema — mas é ele próprio o mais oportunista de todos. Alimenta-se da raiva dos outros, bebe do medo coletivo e transforma a desinformação no seu maior tesouro. Sabe que a verdade dá trabalho, e por isso escolhe o atalho da mentira, embrulhada em frases fáceis, slogans vazios e promessas impossíveis.
Ventura é o herói dos ignorantes, o salvador dos que já desistiram de pensar. Vive de repetir o que o povo quer ouvir, mesmo que seja veneno. O seu discurso é um espelho da mediocridade que ele próprio cultiva: racista quando precisa de culpar alguém, misógino quando uma mulher o desafia, e hipócrita quando a realidade o confronta. Fala de moral, mas não tem valores; fala de liberdade, mas só quer poder.
Ventura não convence pela razão — conquista pela manipulação. Escolhe o caos, porque o caos é fértil para quem vive de engano. Grita “verdade!” enquanto espalha mentiras, e chama “inimigo” ao Sistema , mas alimenta-se do Sistema É um ator de feira, um vendedor de ilusões, um ruído constante num País que já precisa desesperadamente de silêncio e lucidez.
Mas há uma coisa que Ventura não entende: o tempo é inimigo da mentira. A máscara cai. Sempre. E quando cai, revela o que sempre esteve ali — um homem pequeno, perdido entre o ódio que criou e o vazio que tem para oferecer.

Começar a Espreitar

Vivemos tempos em que a política e a sociedade parecem dançar num mesmo compasso, mas nem sempre em harmonia. Enquanto a política promete soluções, a sociedade espera milagres; e entre promessas e desilusões, cresce um abismo de desconfiança. Espeitar a política com olhar crítico é mais do que um exercício de cidadania: é um ato de resistência num mundo onde a superficialidade ameaça substituir o pensamento.

A política, em muitos contextos, deixou de ser o espaço do debate e tornou-se um palco de espetáculo. O discurso político é cuidadosamente ensaiado, as palavras escolhidas para agradar mais do que para esclarecer. Em vez de ideias, vendem-se imagens; em vez de convicções, slogans. O cidadão, transformado em espectador, assiste à encenação e, cansado de tanta retórica vazia, afasta-se do processo democrático — abrindo espaço para o populismo e a manipulação.

Mas não é apenas dos políticos que nasce a crise. A sociedade contemporânea, marcada pelo imediatismo e pela polarização, contribui para o empobrecimento do debate. As redes sociais, que poderiam ser ferramentas de diálogo e mobilização, tornaram-se arenas de insultos e desinformação. A pressa em “ter razão” substitui o desejo de compreender. E sem reflexão, a crítica perde força e a indignação transforma-se em ruído.

Espreitar criticamente significa, portanto, ir além da aparência. É questionar os discursos prontos, duvidar dos números apresentados sem contexto, exigir coerência entre o que se diz e o que se faz. É também reconhecer que a mudança não depende apenas dos que governam, mas de todos nós — enquanto cidadãos, enquanto comunidade.

Precisamos recuperar o valor do pensamento crítico, da empatia e da responsabilidade coletiva. Só assim poderemos reconstruir uma sociedade verdadeiramente democrática, onde a política volte a ser o instrumento do bem comum, e não o reflexo dos interesses individuais.

Em última análise, espreitar a política e a sociedade com olhar crítico é um convite à lucidez. É o primeiro passo para deixarmos de ser espectadores e voltarmos a ser protagonistas da história que nos pertence.